Mudando sua alimentação

Por que temos alergia a frutos do mar? Entenda melhor o problema.

maio 16, 2019

Siri, camarão, lagosta… esses alimentos são comuns em regiões litorâneas e apreciados por muita gente, principalmente no verão. Quem nunca aproveitou a viagem à praia pra pedir aquela porção gostosa na beira do mar? Acontece que, ao invés de prazer, eles podem significar um prato cheio de problemas.

Você provavelmente já ouviu falar em alergia a frutos do mar, né? Esses alimentos são mesmo a origem de muitas reações inflamatórias. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas a fim de identificar o problema, se ele aparecer, e encontrar uma solução o quanto antes.

Ah, você não sabe muito bem como funciona essa história de alergia a frutos do mar? Não precisa se preocupar, a gente vai te explicar tudo — não é história de pescador, pode acreditar. É só continuar a leitura

Quais são os sintomas da alergia alimentar?

As alergias são respostas do nosso sistema imune ao contato com substâncias que o corpo encara como inimigas. Em todos os casos, inclusive nas alergias alimentares, elas dependem e variam muito de acordo com cada organismo. Inclusive no que diz respeito aos sintomas, que podem aparecer na pele, no sistema respiratório, gastrointestinal e até cardiovascular. Olha só quantos sinais podem surgir:

  • tosse, espirros, rouquidão, dispneia e broncoespasmos;
  • erupções, vermelhidão e inchaço na pele;
  • diarreia, cólica, vômitos e prurido na boca e na faringe;
  • desmaios, hipotensões e choque anafilático.

Esses sintomas costumam ser globais, ao invés de afetarem um único órgão, e são manifestados imediatamente após a ingestão. No entanto, já foram reportados casos de reação até oito horas depois do consumo do alimento, que são mais raros.

Por que a alergia a frutos do mar se desenvolve?

Pra responder a essa pergunta, vamos começar separando os frutos do mar entre moluscos e crustáceos. Os moluscos incluem mexilhões, lulas, polvos, ostras e outros invertebrados de corpo mole. Já no grupo dos crustáceos estão os camarões, os caranguejos, as lagostas e outros animais de corpo segmentado, que têm uma casca chamada exoesqueleto.

Essa diferenciação é essencial pra entender exatamente onde está a causa do problema, já que ambos têm substâncias alergênicas e algumas são diferentes entre eles.

Apesar disso, aquela que mais causa hipersensibilidade está em ambos. É a tropomiosina, uma proteína presente nos músculos daquelas criaturas marinhas que não desaparece com o cozimento. Aliás, ela pode ser liberada no ambiente junto com o vapor, representando perigo até mesmo antes do alérgico comer – só de entrar na cozinha, por exemplo, ele já corre riscos, sabia?

Dentre as outras proteínas alergênicas, agora mais específicas, estão a quinase, a arginina, a miosina e a lista segue. Se houver reação a um desses elementos em particular, pode ser que a alergia seja relativa a um só fruto do mar, não a todos eles.

No entanto, a ciência continua tentando descobrir quais são os causadores de alergia de cada espécie – eles não foram todos mapeados ainda. Por isso, se seu sistema imune costuma ser sensível, nem sempre vai dar pra saber precisamente onde estava o problema. Então, cuidado!

Mas antes de passar para o próximo tópico, vale uma ressalva: no caso do camarão, a alergia pode ser devida ao metabissulfito de sódio. E veja só que curioso: essa substância não está presente diretamente no animal, mas é muito utilizada pela indústria pra conservá-lo e evitar seu escurecimento.

É, a medicina envolve muitas variáveis, por isso, chegar a um resultado conclusivo não é nada simples.

Como identificar essa alergia?

É possível ter alergia só a moluscos, só a crustáceos, a ambos ou a um único animal. E as reações nem sempre ocorrem de forma acentuada, o que dificulta o diagnóstico médico e, claro, sua própria percepção.

Sendo assim, é importante que você consulte um alergista enquanto ainda está tudo bem. Além de considerar sua história clínica e os sintomas, ele também deve realizar exames que facilitem o mapeamento de substâncias que oferecem riscos a você, como o teste cutâneo.

Nesse teste, a pele do paciente é colocada em contato com componentes alergênicos desses alimentos em diferentes pontos. Depois disso, é possível verificar se o organismo vai reagir pra se defender, o que vai configurar um resultado positivo. Mas não se preocupe: esse procedimento é prático e seguro. Caso ainda haja alguma dúvida, é só conversar com seu médico,

Agora aqui vai uma dica: quem tem asma e rinite é mais propenso a manifestar alergias alimentares também. Por isso, vale a pena ter cautela ao ofertar frutos do mar a pessoas com problemas do tipo.

No caso de crianças, redobre a atenção, inclusive porque esse tipo de alergia costuma ser identificado mais tarde, já que elas não consomem frutos do mar com regularidade. Em adultos, por outro lado, ela é uma das mais comuns.

Como evitar esse problema?

E aí? Identificou a alergia e não sabe o que fazer? Calma que a gente explica.

No caso de contato acidental com frutos do mar, é possível contornar a situação com medicamentos anti-histamínicos e corticoides.

Mas pra evitar as crises frequentes, saiba que é necessário excluir esses alimentos da sua rotina, sim. Além disso, é preciso ficar atento a três questões especiais. Vamos falar um pouco de cada uma delas.

Contaminação cruzada

Às vezes, frutos do mar entram na composição de algum prato e esse detalhe passa despercebido, porque ele não fazia parte da lista de ingredientes. Isso acontece principalmente em refeições feitas fora de casa.

Imagine um restaurante que utiliza o mesmo óleo que fritou um crustáceo na preparação da sua batatinha. Você deve estar pensando agora que não é uma situação difícil de acontecer. Acertamos? Pois é, isso configura uma contaminação cruzada.

O mesmo problema pode ocorrer se, ao preparar seu prato, o estabelecimento aproveitar utensílios e recipientes que foram usados com frutos do mar. Por isso, olhos abertos em locais que servem alimentos aos quais você é alérgico. A manipulação errada ou o simples contato do funcionário com a sua refeição, se ele já tiver tocado em frutos do mar, podem colocar você em apuros.

Alimentos industrializados

Não são só os restaurantes que devem estar na mira dos alérgicos. A indústria também apresenta riscos, apesar dos controles de qualidade.

Caso você não saiba exatamente a substância que causa sua alergia, é necessário ter cuidado com alimentos congelados que são conservados com o metabissulfito de sódio. Como a gente já falou, muitas pessoas acham que têm alergia a camarão quando, na verdade, o problema está no conservante usado nele.

Inclusive, é importante ficar ligado a outros produtos que utilizam o mesmo aditivo. Parece complicado, né? E realmente pode ser. Mas saiba que, com o tempo, esses cuidados passam a fazer parte da sua rotina naturalmente.

Rotulagem

A partir do momento que você identifica uma alergia, a leitura dos rótulos pode ser uma boa estratégia preventiva. A indústria é obrigada a comunicar na embalagem a presença de substâncias consideradas alergênicas, como leite, amendoim, trigo e também crustáceos.

Pra encontrar essa informação, basta ler a lista de ingredientes que acompanha praticamente todos os produtos industrializados. As letrinhas são pequenas, mas com um pouquinho de paciência você consegue.

Agora, muito cuidado: apesar de serem grandes alérgenos, ainda não há obrigação de informar sobre a presença de moluscos. Portanto, se você é sensível a eles, deve verificar a presença de traços desse alimento pelo SAC do fabricante, que também está contido na embalagem.

Como você pode perceber, a alergia a frutos do mar pode significar muitos transtornos, mas é um problema possível de contornar. Caso você perceba sintomas ou desconfie do problema, não deixe de procurar um médico e realizar o diagnóstico. Só assim você vai conseguir se cuidar de verdade e ter qualidade de vida.

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