Rotulagem de alimentos: entenda de vez o que significa cada coisa

rotulagem de alimentos

O rótulo do alimento deve ser um grande aliado do consumidor. Isso porque nele estão contidas todas as informações necessárias sobre o produto que você está prestes a comprar ou consumir. Mas, você sabe ler o rótulo nutricional? É normal ficar um pouco confuso com tanta informação. Por isso, decidimos explicar a rotulagem de alimentos pra você!

Quais informações devem estar presentes na rotulagem dos alimentos?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é responsável por estabelecer quais informações devem constar na rótulos dos alimentos. Assim, busca garantir a qualidade do produto e a saúde da população. Entre os principais itens obrigatórios nos rótulos estão, em suma:

Lista de ingredientes

Primeiramente, essa lista informa todos os ingredientes que compõem o produto. A leitura dessa informação é importante. Serve, por exemplo, pra identificar a presença de termos que significam o “mesmo” que açúcar (como sacarose, glicose, dextrose).

Importante: a lista de ingredientes deve estar em ordem decrescente. Ou seja, o primeiro ingrediente é aquele que está em maior quantidade no produto e o último, em menor quantidade. Essa informação é essencial pra escolha de alimentos mais saudáveis e equilibrados!

Origem

Informação que permite que o consumidor saiba quem é o fabricante do produto e onde ele foi fabricado. Teve algum problema com o produto? Consultando essas informações, você consegue, aliás, entrar em contato com o fabricante e resolver a questão. 

Prazo de validade

Primeiramente, os produtos devem apresentar pelo menos o dia e o mês quando o prazo de validade for inferior a três meses. Por outro lado, quando esse prazo for superior, deve constar o mês e o ano.

Lote

É um número que faz parte do controle na produção. Caso haja algum problema, o produto pode ser recolhido ou analisado pelo lote ao qual pertence.

Informação nutricional

É, em síntese, a famosa tabela nutricional. Sua leitura é essencial pra saber o que se está consumindo nutricionalmente e, claro, pra auxiliar em escolhas mais saudáveis. 

O que deve constar na informação nutricional obrigatória?

Porção: quantidade média do alimento que deve ser usualmente consumida por pessoas sadias a cada vez que o alimento é consumido. Essa porção é pensada dentro de uma alimentação saudável.

%VD: o percentual de valores diários é um número em percentual que indica o quanto o produto em questão apresenta de energia e nutrientes. O valor é calculado em relação a uma dieta de 2.000 calorias.

Pra fazer escolhas mais saudáveis, basta saber que um alto %VD indica que o produto apresenta alto teor de determinado nutriente. Já os produtos com %VD reduzido indicam o contrário. Sendo assim, dê preferência a:

  • Produtos com baixo %VD pra gorduras saturadas, gorduras trans e sódio
  • Produtos com alto %VD para as fibras alimentares

Medida caseira: indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor pra medir alimentos. São, por exemplo, as fatias, unidades, potes, xícaras, copos, colheres de sopa…

O que significam os itens da tabela nutricional?

Valor energético

É a energia produzida pelo nosso corpo proveniente dos carboidratos, proteínas e gorduras totais. Na rotulagem nutricional o valor energético é expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kJ). 

Carboidratos

São os componentes dos alimentos cuja principal função é fornecer energia para as células do corpo, principalmente do cérebro. São encontrados em maior quantidade em massas, arroz, batata, mandioca, pães, farinhas, açúcar, mel e doces em geral.

Proteínas

Em suma, são os componentes dos alimentos necessários pra construção e manutenção dos nossos órgãos, tecidos e células. Encontramos nas carnes, ovos, leites e derivados, e nas leguminosas (feijões, lentilha, grão de bico, soja e ervilha), por exemplo.

Gorduras totais

As  gorduras são as principais fontes de energia do corpo e ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K. As gorduras totais, em suma, referem-se à soma de todos os tipos de gorduras encontradas em um alimento, tanto de origem animal quanto de origem vegetal.

Gorduras saturadas

São, em síntese, o tipo de gordura presente em alimentos de origem animal. São exemplos: carnes, toucinho, pele de frango, queijos mais gordurosos, leite integral e manteiga. O consumo desse tipo de gordura deve ser moderado porque, quando consumido em grandes quantidades, pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças do coração. 

Gorduras trans

Em resumo, é o tipo de gordura encontrada em grandes quantidades em alimentos industrializados. Entre eles estão as margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, salgadinhos prontos, produtos de panificação e alimentos fritos que utilizam as gorduras vegetais hidrogenadas na sua preparação. O consumo desse tipo de gordura deve ser muito reduzido, considerando que o nosso corpo não necessita desse tipo de gordura e ainda porque, quando consumido em grandes quantidades, pode aumentar o risco de desenvolvimento de doenças do coração.

Fibra alimentar

Está presente em diversos tipos de alimentos de origem vegetal, como frutas, verduras, legumes, grãos e alimentos integrais, por exemplo. Dessa forma, a ingestão de fibras auxilia no funcionamento do intestino e protege o coração.

Sódio

Está presente no sal de cozinha e em alimentos industrializados (salgadinhos de pacote, molhos prontos, embutidos, produtos enlatados com salmoura) devendo ser consumido com moderação. Isso porque seu consumo excessivo pode levar ao aumento da pressão arterial. 

Outras informações nutricionais, como presença de vitaminas e minerais, por outro lado, são opcionais para os rótulos de alimentos.

Observação: dúvidas sobre diet light

Alimentos diet: são os alimentos especialmente formulados pra pessoas que apresentam condições de saúde específicas. Apresentam na sua composição quantidades insignificantes ou são totalmente isentos de algum nutriente.

Alimentos light: são aqueles que apresentam a quantidade de algum nutriente ou valor energético reduzida quando comparado a um alimento convencional. São definidos os teores de cada nutriente e ou valor energético para que o alimento seja considerado light. Por exemplo, iogurte com redução de 30% de gordura é considerado light.

Tanto alimentos diet quanto light não têm necessariamente o conteúdo de açúcares ou energia reduzido. Podem ser alteradas as quantidades de gorduras, proteínas, sódio, entre outros, por isso a importância da leitura dos rótulos.

Informações especiais sobre alergênicos na rotulagem de alimentos

Informações sobre a presença de conservanteslactoseglúten e diversos outros itens usados na composição de alimentos enlatados e processados são especialmente importantes. Isso porque existem pessoas com algum tipo de alergia ou intolerância a ingredientes ou doenças como obesidade, pressão alta e diabetes.

Em 2015, a partir da campanha “Põe no Rótulo”, foi aprovada uma resolução da ANVISA que obriga a indústria alimentícia a informar nos rótulos a presença dos principais ingredientes que levam a alergias alimentares. 

Os rótulos, desse modo, devem informar a existência de dezessete substâncias. São elas: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas), crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite de todos os mamíferos, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha do Pará, macadâmia, nozes, pecã, pistaches, pinoli, castanhas, além de látex natural.

Assim, os produtos que contenham esses ingredientes devem trazer uma das seguintes informações:

“ALÉRGICOS: CONTÉM (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”;

“ALÉRGICOS: CONTÉM DERIVADOS DE (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”;

ou “ALÉRGICOS: CONTÉM (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares) E DERIVADOS”.

Nos casos em que não seja possível garantir a ausência de qualquer alérgeno, o rótulo deve trazer a seguinte informação:

“ALÉRGICOS: PODE CONTER (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”.

Essa alegação existe por conta do que chamamos de “contaminação cruzada”. A contaminação cruzada é uma transferência de traços (pequenas quantidades) ou partículas de glúten de um alimento pra outro alimento, diretamente ou indiretamente. Por exemplo, uma indústria de pães que produz tanto o pão tradicional (com glúten) quanto o pão especial (sem glúten) não pode afirmar que não existirá uma contaminação não prevista de glúten na produção do pão especial.

Atualmente, não há a determinação de um nível de contato cruzado que se considere seguro para as pessoas alérgicas consumirem. Assim, a legislação proíbe o uso de frases que destaquem a ausência dos alergênicos (“SEM”, “ZERO”, “ISENTO DE”).

O que as empresas não podem usar nos rótulos?

  • Apresentar palavras ou qualquer representação gráfica que possa tornar a informação falsa, ou que possa induzir o consumidor ao erro.

Exemplo: chocolates que demonstram mediante ilustração que o consumo de determinada quantidade equivale ao consumo de um copo de leite.

  • Demonstrar propriedades que não possuam ou não possam ser demonstradas.

Exemplo: determinados produtos demonstrando que seu consumo reduz o risco de doenças do coração.

  • Destacar a presença ou ausência de componentes que sejam próprios de alimentos de igual natureza.

Exemplo: “óleo sem colesterol” – todo óleo vegetal não apresenta em sua composição colesterol.

  • Ressaltar, em certos tipos de alimentos processados, a presença de componentes que sejam adicionados como ingredientes em todos os alimentos com tecnologia de fabricação semelhante.

Exemplo: “maionese preparada com ovos” – toda maionese deve ter ovos em sua composição.

  • Indicar que o alimento possui propriedades medicinais ou terapêuticas ou aconselhar o seu consumo pra melhorar a saúde ou prevenir doenças. 

Exemplo: “previne osteoporose”; “emagrece”. 

Fique de olho: vem nova regulação de rotulagem de alimentos por aí!

Segundo a ANVISA, em breve entrarão em vigor novas normas sobre rotulagem nutricional de alimentos no Brasil. O objetivo da revisão das regras é garantir mais clareza e qualidade das informações sobre valores nutricionais e composição dos produtos que estão em comercialização no mercado. 

Neste processo de revisão, está sendo analisada a criação de uma informação simplificada e padronizada no painel principal do rótulo do alimento, de fácil identificação e compreensão. Ela indicará, portanto, se o alimento tem alta concentração de nutrientes de preocupação à saúde humana. Por fim, para acompanhar o processo de revisão é só clicar aqui

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